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Amanheceu!

Publicado: julho 1, 2010 em Uncategorized

Amanheceu!

Foi menos de um minuto. Foi agorinha.  E foi um pedaço da eternidade.

Eu desistira de dormir, desde antes da seis lutando para reencontrar o sono roubado : pelo alarme para dar o rémédio ao filho pequeno, pela semana difícil, pelas memórias do sofrimento de amigos, pelos problemas sem saída, pelas perguntas sem resposta, pelas acusações do tentador, pela culpa falsa e pela culpa real, pelo inconsciente que teima em ser tão consciente das incongruências da humanidade.
Desisti. Lembrei da agenda exigente e apertada de hoje, da lista de tarefas que exige sempre o melhor, da cobrança que todo pastor faz a si mesmo – se é , de fato, pastor, não parasita do sistema ou manipulador das necessidades e neuroses religiosas alheias, um farsante, é claro. Lembrei, enquanto o silêncio da casa entregue ao sono me convidada a tentar mais 30 minutos. “Não. Chega. Vou levantar e fazer o que deve ser feito: orar, tomar café, cuidar já o urgente, dar atenção ao importante … ” Aí notei aquela luz maravilhosa pela janela da cozinha: amanheceu. Que luz era aquela! O irresistível desejo de transcendência nos abraça, risonho e sempre – basta acolhê-lo.
Fui para o hall discreto do meu andar e estiquei o pescoço em direção ao único ponto que se pode contempla o nascer do sol , devido a posição do meu prédio. Lá estva ela , a  Manhã, vestida de um amarelo místico e tão sedutor que me cegava. Por menos de um minuto, eu repito, tudo parou, a vida e suas demandas, seus prazeres e pesares, seu júbilo e depressão, suas festas e funerais, seus partos e partidas,  nesse ciclo de montanha e desertos que nos atordoa tantas vezes de estupefato gozo ou medo, a vida ficou suspensa – por uma fração de segundos. Estava frio, mas algo acendeu dentro de mim. Estava desconfortável ( lembra da posição, esticado do cantinho da janela do hall? ), mas me senti acolhido. Sim, abraçou-me uma esperança maravilhosa. Deus me visitou. Me senti a “criança que acaba de mamar ” do Salmo 131. Em paz.

Enquanto entrava em casa novamente, lembrei-me da Escritura que nos alimenta a fé: ” Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto esperarei nele. ” ( Lamentações 3. 21-24 )

A palavra que o profeta Jeremias usou aqui e que traduzimos manhã , me diz meus livros de exegese, é בּקר ( bôqer ) . Não se trata da manhã, pedaço das 6 e pouca até o meio-dia. É o tomper da luz do dia, o nascer do sol, o expledor luminoso da alvorada – o amanhecer. Coisa linda – e efêmera, assim como uma pequena oração, um gesto de tênue fé. Milagre.

Haja a noite que houver, o dia amanhece, campeão . Isso não é maravilhoso ? Um pequeno  e tão desprezado milagre…. O ciclo se repete sem parar –  literalmente –  Graças a Deus ! É maior do que todos nós, não depende de nós , acontece à nossa revelia : amanhece. O dia é uma Graça – em todos os sentidos da expressão, tanto o estético, quanto o místico. As trevas e o silêncio da madrugada são sempre derrotados pela invencível força da luz do dia.” Assim também minha angustia, Senhor, seja tragada pela luz da sua misericórdia ! “

Gerson Borges Martins, 1o de Julho de 2010.


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Johnny Alf foi para o céu

Publicado: março 10, 2010 em Uncategorized

Faz uns quinze anos que entrei no estúdio Domínio Digital,  Rio de Janeiro, usina sonora do consagrado produtor Mazzola, para gravar algumas canções com uma banda que incluía Peninha, percussionista do Barão Vermelho. Entre uma sessão e outra, cafezinho após cafezinho para segurar a onda da noite de trabalho, o assunto “Deus” entrou na roda e o Peninha disse, num relance: “É, o Cazuza tá com Deus, mermão! Antes de morrer ele teve um encontro com o Homem lá de cima!”

Fiquei quieto. Quem sou eu pra questionar a salvação de alguém?! Quem nos salva de todos os Infernos possíveis é a graça, que parece impossível, mas que é muito real. A graça é um absurdo, diz Jean-Yves Leloup, filósofo e monge francês. O absurdo da graça, esse é o mistério.

Mas creio que Johnny Alf foi pro céu. Conheci em 2008, numa Igreja Batista, uma senhora que havia pregado para esse maravilhoso e genial músico brasileiro, que acabou de falecer de câncer. Ele estava vivendo numa asilo de idosos em Santo André e, segundo o testemunho daquela missionária, o pianista e compositor de “Eu e a brisa” e tantas outras pérolas, verdadeiras obras-primas da nossa canção, havia entregue seu coração para Jesus, crendo n´Ele como seu Senhor e Salvador.

Enquanto escrevia esse texto, lembrei-me de uma amiga comum, a grande Wanda Sá, voz central na história da Bossa Nova, como uma das suas maiores intérpretes. Liguei pra Wanda, hoje minha irmã em Cristo, e ela se emocionou no telefone ao saber da conversão do amigo. “Ele estava muito à frente do seu tempo. O Johnny foi o primeiro de todos e influenciou a todos”, disse uma arrepiada Wanda, surpresa e alegre .

Sim, o cara era da pesada. “Não faço Bossa Nova”, ele dizia, “faço Samba-jazz”. Tom Jobim, João Gilberto e os grandes nomes do movimento musical carioca que ganhou o mundo, todos devem algo a Johnny Alf. Concordo com Wanda. Ele traduziu o gênio de Cole Porter, George Gershwin e Nat King Cole para o colorido da MPB – e criou algo realmente novo, genial.

Reza a lenda (a arte é cheia de lendas do tipo) que ele era homossexual. Isso não tem a mínima importância agora. Espero que ele seja lembrado pela grandeza da sua arte, pelo abandono que sofreu – enquanto nomes menores, como o badalado Sérgio Mendes, tornaram-se milionários nos EUA, vendendo sua arte para a indústria fonográfica americana, que tudo reduz a hamburguer. Espero que ele seja lembrado como um senhor de 80 anos, que definhava solitário num asilo e sofria com o precário tratamento público destinado aos portadores de câncer. Espero que ele seja lembrado como alguém que, no seu leito de morte, creu na obra de Cristo, no seu amor, na sua graça.

Obrigado, Elisana, por falar de Jesus ao  “Seu Alfredo”. Eu creio que ele agradecerá. No Céu.

Gerson

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Isaque, nosso Pai

Publicado: fevereiro 22, 2010 em Uncategorized

Fim de férias! Agradeço o carinho de cada um de vocês, amigos e irmãos da Caminhada de Fé. Que Deus seja com nossas vidas, melhor – seja a nossa vida,  sempre!

A leitura bíblica de hoje  ( Gn 24-27 ) nos reconta de Isaque. Isaque, Filho da Promessa; Isaque, a risada ( יצחק, yitschâq ) de Rebeca, seu sorriso; Isaque, nosso Pai, nosso antepassado espiritual. Três verbos me tocaram o coração no que li: meditar, adorou,  abençoou. Isaque meditava ( 24.62 ) Isaque adorava ( 26.25 ). Deus o abençoou ( 26.12).

Finzinho da tarde, na viração do dia ( lembram do Éden? ), Isaque dava um volta no campo, sem pressa, sem rumo exato. Olhava as montanhas, pensava em Deus, lembrava das conversas com seu Pai. Nada escrito. Não havia Bíblia, claro. Havia memória, sentimentos, saudade. De Deus. A palavra hebraica é bem bonita –  שׂוּח, śûach – e significa pensar profundamente, com força, sem distração. A vida com Deus requer meditação. Meditar é pensar fundo e longe. Olhar atento. Coração sereno. As maiores questões, as maiores decisões, as maiores dúvidas, tudo posto diante de Deus. Isaque é meu diretor espiritual nessa manhã. Seguirei seu exemplo.

Nenhum sacerdote, nenhuma religião institucionalizada, nada. Mas uma fome de Deus e um senso do que é mais santo e do que é mesmo sagrado habitava a alma de Isaque. A adoração de Isaque, como a de seu ( nosso ) Pai Abraão é a melhor possível – uma resposta. Deus se manifesta, logo, joelhos prostrados, um altar. Mãos erquidas e fronte prostrada. A melhor imagem do Ser Humano – adorando a Deus ( 26.25 ). É como sintetiza a frase do Frei Camelita Patrício Sciadini, que leio com gosto em ” Direção Espiritual ” ( Loyola ) : ” Deus não pode se esquecer do homem. O homem não pode se esquecer de Deus”. Isaque me aponta a essência da vida espiritual, a realidade de Deus, sua presença, sua voz. Quem quiser provar que prove. Quem puder ouvir que ouça. Deus é real. Deus é a realidade final. Antes de tudo e no começo de tudo, Deus! No fim de tudo  e por detrás de tudo, Deus! A nossa única resposta, com dizia, Agostinho ” é a doxologia “. Aleluia!

As sementes foram lançadas na terra de Gerar, casa nova, outro momento. Isaque enfrentava uma crise , fome, empobrecimento em Hebrom. Isaque repete a fé de seu Pai e muda-se, movimenta-se, segue a Voz do Senhor. Deus abençoa sua empreitada, Deus faz a lavoura vingar ( 26. 12 ) , Deus é Deus da vida toda e de toda a vida. Tudo é de Deus  Tudo é espiritual. Casamento, família, posses, carências, fazenda e negócios. Nada se faz fora do olhar de Deus, que abençoa quando quer abençoar, que permite a provação quando quer provar a fé, que , miraculosamente, se interessa pelas pequenezas e grandezas da vida dos homens. Também nisso Isaque me inspira: dependerei de Deus sempre e sempre. Sem Deus nada floresce no deserto. Com Deus nada murcha à toa. Ah, que paz isso me dá! ( vi O Fazendeiro de Deus com Cinha nas férias, um pequeno grande filme sobre um pequeno grande homem de fé! )

Isaque, nosso Pai espiritual. Um bom exemplo para começar a semana e voltar ao trabalho pastoral !

ORAÇÃO: Dá-me , Ó Deus Eterno, essa vontade de meditar em ti e em tudo o que vale a pena, sobretudo Tua Palavra santa; Dá-me, ó Deus dos Antigos, essa naturalidade de ajoelhar-me diante da Tua Presença em gratidão amorosa emuito  reverente; Dá-me, Ó Deus dos Meus Pais, essa mesma benção que deste a Isaque – semente que vinga, sonho que se realiza, desejo que se concretiza. E que em todo tempo eu e os meus irmãos saibamos que só O Senhor é Deus! Amém.

Medo, temor, pavor

Publicado: janeiro 14, 2010 em Uncategorized

Medo, temor, pavor


“ O que eu temia veio sobre mim

O que eu receava me aconteceu “.

Jó 3.25

” Medo, medo, medo

Tenho medo do medo que dá “

Lenine

Desabafo. Como é necessário rasgar-se de dentro pra fora diante de Deus. C.S. Lewis recomendava uma oração que “ fale com Deus sobre o que está dentro de nós , não o que deveria estar” . É isso mesmo. Deus agüenta. Aliás, prefere, anseia por esse tipo de oração que , no mínimo, cura a alma dos venenos do ressentimento , desespero, dúvida. Jó, profundamente deprimido, lamenta o  seu nascimento , “ amaldiçoem aquele dia os que amaldiçoam os dias “ ( 3.8 ), acha uma pena não ter sido abortado ( 3.11, 16 ). Calma, Jó! E, então, confessa que esperava por aquela tragédia toda mesmo: “ o que eu temia veio sobre mim, o que eu receava me aconteceu”.

Medo. Temor. Pavor. Somos escravos de perturbadoras fobias. Temos medo de adoecer, morrer cedo de alguma doença grave. Tememos as violência da Cidade, invenção de Caim, o Assassino ( Gn 4.17 ) Vivemos apavorados por ameaças reais ou imaginárias, dejetos da nossa tão avançada civilização. Mas não precisamos. Há um Deus bom lá em cima e aqui dentro da alma. Há um Deus. Temos um Pai. No final, como nos garante João no seu poema apocalíptico, vai dar tudo certo. Que alívio.

ORAÇÃO: “ Tu és fiel, Senhor, Tu és fiel, Senhor, Dia após dia, com bênçãos sem fim, Tua mercê me sustenta e me guarda, Tu és fiel, Senhor, Fiel a mim! “[1] “Canta minh’alma, canta ao Senhor, Rendei-lhe sempre, Ardente louvor, Canta minh’alma, Canta ao Senhor, Rendei-lhe sempre, Ardente louvor! “[2] Por causa de Jesus, Pai querido, amém!


[1] “ Tu és Fiel , Senhor! (Great is Your faithfulness ) Letra de  Thomas Chisholm , música de  William Runyan.

[2] “Que segurança ( Blessed assurance ). Letra  de Fanny J. Crosby, compositora  de hinos que era cega,  para a música escrita em  1873,  por  Phoebe P. Knapp.

Sábado, 09 de Janeiro de 2009.

“ Ele será chamado Nazareno “  ( Mt 2.23 )

( Leia Mt 1-2 )

Nazaré teria sido uma cidade muito pequena, uma vila da Galiléia sem nenhuma importância no primeiro século. Há quem diga o seguinte: Nazareno, na expressão, “ Ele será chamado Nazareno “ relaciona-se com Isaías 11.1, “ um ramo surgirá do tronco de Jessé “. Ramo, broto, nêtser, em hebraico. Ou seja, Nazaré teria se estabelecido com esse nome por causa de Jesus , não o inverso. Nazareno seria uma espécie de título, não “  da cidade de Nazaré “. Outros falam da semelhança com o termo Nazireu, usado para Sansão, no livro de Juízes – alguém com votos extremos de santidade e serviço a Deus.

Não tem o que fazer, esses eruditos. A Academia às vezes é um desserviço à Espiritualidade. Se me chamarem de anti-intelectual será perda de tempo. Não ligo. Não é nada disso.  Apenas uma constatação: Racionalismo mata a beleza da fé e da poesia. Não quero especular coisas assim. Prefiro muito mais a contemplação de um Mistério, Deus-feito-gente, o Jesus-homem. O Eterno no finino, o transcendente no pó-e-cinza da nossa precária e inconclusa humanidade. Jesus de Nazaré, meu Deus, meu salvador, meu Senhor!

ORAÇÃO ( um cântico ) : “ Jesus Nazareno é tudo o que eu tenho, Jesus Nazareno é tudo o que eu tenho pra te dar. Não tenho ouro nem prata, o meu tesouro não daqui. Jesus é minha alegria e nunca vai partir. Não tenho ouro nem prata.  A maior riqueza é conhecer a Deus. Quando eu cri em Jesus um dia, o bem que estava morto renasceu! “ ( Jesus é tudo , CD “ Povo de Deus, povo missionário” )

A Bíblia toda, o ano todo

Publicado: janeiro 6, 2010 em Uncategorized

Depois de me encantar com ” Maravilhosa Bíblia “, de Eugene Peterson ( “Eat this book ” )  e da maravilhosa matéria de Isabela Boscov, Veja ( 23-12-2010 ) , comecei uma jornada de 52 Semanas de Leitura Bíblica Diária. Em geral, 3 a 5 capítulos por dia. Nietzche, aquele niilista provocatante uma vez profetizou que o Jornal substituiria a Bíblia no café matinal do peuqeno-burguês. Bem, muito mais do que uma resposta à esse vaticínio ( as redes sociais devem estar fazendo isso ) , resolvi ler toda a Bíblia com minha família e comunidade durante esse ano por desejo, vontade, convicção do lugar da Palavra de Deus na minha vida. A Palavra por trás das minhas palavras.

Alguns capítulos por dia. Um caderno na outra mão. Fome de Deus.

Mas escolho um ou dois versos que me tocam e faço uma Lectio Divina ( Em linhas muitos gerais ,  Leitura, Meditação,Oração e Contemplação . Um excelente ponto de partida para o exercício monástico da Lectio Divina é “Metitatio “, de Osmar Ludovico e  o citado ” Maravilhosa Bíblia ” de Eugene Peterson.

Quem quer vir comigo?

Um dos frutos desse tempo diário está aqui, meditações breves e orações autênticas.

PRIMEIRA SEMANA

Domingo, 04 de Janeiro de 2010.

Coraçãomente

“ Deus , a quem sirvo de todo coração pregando o evengelho de seu filho é minha testemunha de como sempre me lembro de vocês em minhas orações .” Romanos 1.9

( Leia Romanos 1-2 )

Paulo é mesmo surpreendente. Uma mente excepcional, um homem realmente culto, articulado, orador poderoso, pena vigorosa, viajado: há quem diga- não que eu concorde – que o que praticamos não se trata de cristianismo mas paulinismo, tamanha a influência do Apóstolo. No entanto, ao ler suas epístolas com olhos cuidadosos, de vez em quando eu me vejo muito mais tocado pela exposição dos afetos de Paulo do que por seu vibrante e criativo pensamento teológico. “Eu sempre me lembro de vocês “. A palavra em português para esse sentimento, saudade, é única. A mais bela do nosso idioma. Paulo usou “epipotheō“, algo como anseio profundo, desejo intenso. É coisa do coração. Paulo não foi apenas uma mente e tanto, mas um coração largo e generoso. Gente assim muda o mundo. Gente que vive, como dizia Guimarães Rosa no seu advérbio único e maravilhoso, coraçãomente.

ORAÇÃO:  Deus de amor, que eu não viva tão somente a partir das minhas convicções intelectuais , filosóficas e teológicas. Muito mais que isso: que eu viva a partir das verdades do meu coração, onde não me engano, não me iludo, não me conheço além do que eu sou – um pecador entre pecadores dependentes da tua Graça. Amém.

Segunda, 05 de Janeiro de 2010.

Deus é um verbo

“ No princípio, Deus criou (…), Disse Deus (…), Deus chamou (…) e Deus viu que ficou bom (…) ; Então disse Deus: ‘ Façamos o homem à nossa imagem , conforme a nossa semelhança (…) Deus os abençoou “.

( Leia Gênesis 1-3 )

Não consigo me lembrar onde li a frase “ Deus é um verbo “. Não importa. É verdadeira. No começo dos começos, antes do tempo e do espaço, mais do que toda e qualquer especulação humana é capaz de discernir, o Verbo Divino. É João, você disse tudo: “No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus ( Jo 1.1 ) Deus agiu. Deus fez. Deus criou. Deus falou. Deus age. Deus faz. Deus cria. Deus fala. Deus agirá. Deus fará. Deus criará. Deus falará. Deus é Deus. Deus, o Filho, é o Verbo e um verbo – verbo de ligação. Ele me relaciona com o Pai, comigo mesmo, com os outros, meus irmãos. Ao pensar nisso, conjugo o verbo adorar. E o verbo silenciar. Como dizia Agostinho, “ a única resposta adequada é a doxologia “. Deus é Deus.

ORAÇÃO: Deus Triúno da Graça, Pai, Filho e Espírito, meu coração se deleita na contemplação do mistério – tu ages no tempo e no espaço, e o fazes por amor, muito, estranho, singular amor. A minha resposta e comovida reação é dizer aleluia, aleluia, aleluia. Por causa de Jesus, amém.

Terça, 06 de Janeiro de 2010.

Que significam essas pedras ?

“ Elas serviram de sinal para vocês. No futuro, quando os seus filhos lhes perguntarem ‘ Que significam essas pedras ? ‘ , respondam (…) “. Josué 4. 6,7

( Leia Josué 1-5 )

Josué é um livro de histórias. Na Bíblia hebraica, apesar de incluir-se nos chamados “profetas anteriores” ( ao lado de Juízes, Samuel e Reis ), é notadamente narrativa, a história da conquista da terra que Deus prometera aos filhos de Israel. Em Josué, acontece afinal o assentamento no além-do-Jordão. Conquista? Assentamento? Isso quer dizer Guerra. Sempre. É um povo da Idade do Bronze lutando com ferro e fogo para desalojar outros povo, ocupar e possuir seu chão. É perturbador pensar em Deus autorizando ou mesmo ordenando o genocídio. Mas não se trata de uma luta humana . “ Você é por nós ou pó nossos inimigos?”, pergunta Josué a um homem-anjo. “ Nem uma coisa nem outra. Venho na qualidade de comandante do Exército do Senhor”, responde o enviado celestial. O povo deveria olhar para as doze pedras retiradas por um representante de cada uma das doze tribos como um memorial – participamos da luta de Deus . Como é fácil achar que Deus está lutando as nossas lutas. Fazer isso é cair num outro paganismo. Deus não é uma outra divindade, mas poderosa. Deus é Senhor. Primeiro e último.

Senhor Deus, perdoe-me por achar que tu deves lutar minhas batalhas. Batalhas humanas quase sempre são egoístas, inúteis, vãs. Que lutas devo lutar ao teu lado? Que guerras são dignas de serem guerreadas , ainda que simbólicas , mesmo que o único sangue derramado seja o meu, no altar da verdade, no sacrifício da honra e da vida que vale a pena ?

Quarta, 07 de Janeiro de 2010.

Felicidade

“ Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios; Como são felizes todos os que nele se refugiam”. Salmos 1.1, 2.12

( Leia Salmos 1-2 )

A porta do Salteiro, o hinário e o “ livro de oração comum “ de Israel ( e da igreja, eu diria ) é aberto com ‘esher , a expressão traduzida “ Como é/são felizes “ . Mas a idéia hebraica é bem mais abrangente do que os conceitos gregos de Eudaimonia , harmonia e prazer, relacionados à felicidade. Para o Salmista, ser realmente feliz, esher, é relacionar-se com Deus . Não se trata de um truque psicológio ou da mera fruição de um pôr-do-sol, de um jantar com quem se ama, de uma tarde com amigos. Tudo legítimo e correto. Mas sentimental. O que esher comunica é espiritual. Não é felicidade de fora pra Oraçãodentro e é mais do que de dentro pra fora: esher é de cima para dentro. Quando o céu se abre e Deus fala, esher ! Como são felizes os que sabem disso e praticam !

ORAÇÃO: Pai querido, Pai do céu, não me deixes só, eu e os meus afazeres de homem feito: a correria da sobrevivência, o mundo da tecnologia, a armadilha do invididualismo. Eu preciso da tua companhia, teu conselho. Eu quero me esconder, me aconchegar, me aquietar no aperto do teu abraço, junto às batidas do teu bondoso coração. Eu me sinto à vontade por causa de Jesus! Amém.

Alegria

Publicado: dezembro 30, 2009 em Uncategorized
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A Meditação do Dia : Sl 149, 150

Os dois últimos salmos nos dão ordens alegremente solenes : ” Cantem uma nova canção a Deus ! Louvem a Deus no seu santuário. Aleluia! ” Leio eases versos ( enquanto o café esfria na xícara ) e me pergunto: Deus realmente gosta de música? Deus, o Deus que se fez carne em Jesus Cristo, é como um dos deuses do paganismo antigo , que exige dos seus adoradores sacrifícios ritualísticos para aplacar sua Ira ou Tédio cósmicos e ancestrais ) regados a cânticos e danças , num transe longo e lento? Não, claro que não ! O Sacrifício, o Holocausto já foi oferecido. Definitivamente. Em Cristo . ” Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo “, anunciou João Batista. Ele é a um só tempo o sacrifício sobre o altar e o Sumo Sacerdote que o ministra ( Hebreus 7.26 ) . A Religião de Jesus é uma outra coisa, algo realmente novo. O que Deus quer dos nossos ” cultos ” comunitários é CELEBRAÇÃO e FESTA. Sim, um encontro festivo e tranbordante de Beleza, Verdade, Comunhão, Gratidão e Alegria.

O nosso Deus , o Deus da Bíblia, O Deus de Israel, O Deus e Pai de Jesus , ele é o Deus da alegria . Deus é alegria – pura, plena, eterna, poderosa, verdadeira.

Tô com vontade de dançar…

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