Johnny Alf foi para o céu

Publicado: março 10, 2010 em Uncategorized

Faz uns quinze anos que entrei no estúdio Domínio Digital,  Rio de Janeiro, usina sonora do consagrado produtor Mazzola, para gravar algumas canções com uma banda que incluía Peninha, percussionista do Barão Vermelho. Entre uma sessão e outra, cafezinho após cafezinho para segurar a onda da noite de trabalho, o assunto “Deus” entrou na roda e o Peninha disse, num relance: “É, o Cazuza tá com Deus, mermão! Antes de morrer ele teve um encontro com o Homem lá de cima!”

Fiquei quieto. Quem sou eu pra questionar a salvação de alguém?! Quem nos salva de todos os Infernos possíveis é a graça, que parece impossível, mas que é muito real. A graça é um absurdo, diz Jean-Yves Leloup, filósofo e monge francês. O absurdo da graça, esse é o mistério.

Mas creio que Johnny Alf foi pro céu. Conheci em 2008, numa Igreja Batista, uma senhora que havia pregado para esse maravilhoso e genial músico brasileiro, que acabou de falecer de câncer. Ele estava vivendo numa asilo de idosos em Santo André e, segundo o testemunho daquela missionária, o pianista e compositor de “Eu e a brisa” e tantas outras pérolas, verdadeiras obras-primas da nossa canção, havia entregue seu coração para Jesus, crendo n´Ele como seu Senhor e Salvador.

Enquanto escrevia esse texto, lembrei-me de uma amiga comum, a grande Wanda Sá, voz central na história da Bossa Nova, como uma das suas maiores intérpretes. Liguei pra Wanda, hoje minha irmã em Cristo, e ela se emocionou no telefone ao saber da conversão do amigo. “Ele estava muito à frente do seu tempo. O Johnny foi o primeiro de todos e influenciou a todos”, disse uma arrepiada Wanda, surpresa e alegre .

Sim, o cara era da pesada. “Não faço Bossa Nova”, ele dizia, “faço Samba-jazz”. Tom Jobim, João Gilberto e os grandes nomes do movimento musical carioca que ganhou o mundo, todos devem algo a Johnny Alf. Concordo com Wanda. Ele traduziu o gênio de Cole Porter, George Gershwin e Nat King Cole para o colorido da MPB – e criou algo realmente novo, genial.

Reza a lenda (a arte é cheia de lendas do tipo) que ele era homossexual. Isso não tem a mínima importância agora. Espero que ele seja lembrado pela grandeza da sua arte, pelo abandono que sofreu – enquanto nomes menores, como o badalado Sérgio Mendes, tornaram-se milionários nos EUA, vendendo sua arte para a indústria fonográfica americana, que tudo reduz a hamburguer. Espero que ele seja lembrado como um senhor de 80 anos, que definhava solitário num asilo e sofria com o precário tratamento público destinado aos portadores de câncer. Espero que ele seja lembrado como alguém que, no seu leito de morte, creu na obra de Cristo, no seu amor, na sua graça.

Obrigado, Elisana, por falar de Jesus ao  “Seu Alfredo”. Eu creio que ele agradecerá. No Céu.

Gerson

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