A história da oração

Publicado: setembro 10, 2009 em Uncategorized
Quando o ser humano começou a orar? Quem fez a primeira oração?
O texto abaixo foi extraído da última edição da – excelente – Ultimato.Por que a oração é um foco nesse blog e nas coisas que escrevo, canto, prego? Porque oramos pouco e mal! Porque orar é ao mesmo tempo natural e árduo. Porque há muito equívoco em relação à oração: um deles é que a oração é simplesmente pedir, pedir, pedir. James Houston ( Orar com Deus, Abba Press ) nos ensina, com base nos pais da Igreja ,  que “orar é manter amizade com Deus”. Anselm Grun tem um livrinho delicioso cujo título já encerra o conteúdo “Oração como encontro”. Amizade e encontro: isso é orar! Deus é amor e presença. Orar é desfrutar desse amor e dessa presença, na Leitura das Escrituras, no Silêncio, no recolhimento do Quarto Secreto, no burburinho neurótico do trânsito ( jé que não sou monge recluso), trocando fraldas do meu caçula, atrazaso para um compromisso. Ou seja, atenção ao amor e a presença do Espírito Santo.
Hoje acordei com os Doze Passos na cabeça ( AA ): “Hoje , só por hoje…”, eles ensinam, Aliás, ressoando o ensino de Jesus: “basta a cada dia o seu mal “. Um dia de cada vez. Então, hoje, só por hoje, vou criar espaço para Jesus. Vou dar atenção ao Espírito. Vou ficar perto do Pai , do “aconchego do coração do Pai “‘, como canto nessa canção “A chave é a oração “. Hoje, amanhã é outro dia.
Um dia de bençãos, queridos,
Gerson
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A última frase de Gênesis 4 registra que, logo após o nascimento de Enos, começou-se “a invocar o nome do Senhor” (Gn 4.26). Embora o verbo “invocar” pareça sinônimo de cultuar ou adorar, em outros textos ele é sinônimo de clamar ou orar. Numa de suas orações, Davi escreve: “Na minha angústia, “invoquei” o Senhor, “clamei” a meu Deus; ele, do seu templo, ouviu a minha voz” (2Sm 22.7). No Salmo 50, Deus diz: “Invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sl 50.15). As mesmas palavras são proferidas pela boca do profeta Jeremias: “Invoca-me, e te responderei” (Jr 33.3).

A expressão “invocar o nome do Senhor” aparece seis vezes no primeiro livro da Bíblia. Abraão (12.8; 13.4; 21.33), sua escrava Agar (16.13) e seu filho Isaque (26.25) invocam o nome do Senhor. A esta altura da história humana tal ato já seria um exercíc    io religioso habitual.

As outras orações de Gênesis não são meras invocações da presença de Deus, mas súplicas bem elaboradas e mais explícitas. A primeira é um modelo de oração intercessória. As outras são pedidos em favor da interferência da misericórdia e do poder de Deus para resolver situações difíceis (a oração do servo de Abraão), situações ligadas a problemas de saúde (a oração de Isaque) e situações de perigo (as orações de Jacó).

Abraão demora-se na presença de Deus e insiste o quanto pode em favor da não-destruição de Sodoma e Gomorra, em benefício de alguns poucos justos porventura ali residentes. E ele consegue o favor de Deus vez após vez: Deus não destruiria as cidades da campina caso houvesse ali cinquenta, 45, quarenta, trinta, vinte ou dez justos. Como não havia nem sequer dez, as cidades foram destruídas (Gn 18.22-33). O mesmo Abraão orou em favor da saúde de Abimeleque, sua mulher e servas (Gn 20.17).

O filho de Abraão e Agar, ao ser mandado embora junto com a mãe, não tendo mais água para beber, clamou e “Deus ouviu a voz do menino” (Gn 21.17).

O servo de Abraão não sabia como cumprir a delicada missão de conseguir uma esposa para o filho solteirão de seu senhor. Então apelou à oração e foi plenamente atendido. A primeira moça com a qual se encontrou na Mesopotâmia tornou-se esposa de Isaque. O servo fez questão de contar essa experiência de oração à família da jovem (Gn 24.10-50).

Como Rebeca não engravidava, “Isaque orou ao Senhor por sua mulher, porque ela era estéril”. Depois de completar bodas de porcelana, aos 60 anos, nasceram os gêmeos Esaú e Jacó (Gn 25.19-26).

Depois de casar-se com quatro mulheres, de se tornar pai de doze rapazes e de Diná, e de ficar muito rico, Jacó resolveu voltar para sua terra. Porém, logo soube que o irmão ainda alimentava vingança contra ele e vinha ao seu encalço com quatrocentos homens armados. Ao perceber que ele e sua família estavam em perigo, Jacó orou ao Senhor: “Livra-me das mãos de meu irmão Esaú, porque eu o temo, para que não venha ele matar-me e as mães com os filhos”. Foi uma oração perseverante e audaciosa, pois do lado de cá do Jaboque ele disse ao Senhor: “Não te deixarei ir se não me abençoares”. A emoção desarmou Esaú, os dois inimigos choraram um no ombro do outro e a guerra acabou (Gn 32.3-32).

O que mais se aprende com esta história de oração é a humildade com que elas foram feitas. Na intercessão por Sodoma, Abraão declarou: “Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza” (Gn 18.27). Jacó também confessou o que de fato era ao começar sua oração com as seguintes palavras: “Sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo” (Gn 32.10).

Bom seria se todas as nossas orações começassem com essa confissão de Jacó e a do publicano: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lc 18.13)

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comentários
  1. Excelente o texto e fantástica a canção!
    O livro “Oração, ela faz alguma diferança?” de P. Yancey, nos leva a um passeio incrível pela bíblia, reformadores e autores contemporâneos. Sem dúvida, se a oração fazia diferença na vida do Deus encarnado, quanto mais para nós, mortais tentando transcender.
    Abraço, em Cristo.

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