Profundidade

Publicado: setembro 3, 2009 em Uncategorized

” Vá para onde as águas são mais profundas “.

Lucas 5.4

Pedro e eu nos parecemos muito: gostamos de religião, palavras, cânticos, gestos e ritos “santos” , de ajuntamentos em torno de uma liturgia, seja a coisa chamada assim ou não, seja ela tradicional, pentecostal, pós-tradicionalista, neo-pentecostal, levemente ecumênica, informa-light-emergente, ultra-calvinista, super-gospel, semi… bem, deixa pra lá. O ponto é a diversão religiosa. A gente gosta.  A gente assiste. Fica na beira da praia da vida vida espiritual. Discípulo não-praticante, quase-crente, pré-cristão. Sei lá como dizer. Bate palma, diz amém, canta aleluia, dá oferta ( nem sempre voluntária ). No fundo, Dostoievski estava certo ao nosso respeito ao dizer que não é Deus o que procuramos mas os milagres que ele pode fazer . Riobaldo ( e seu criador, Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas ) nos conhece, é nosso irmão: ” Eu cá não perco ocasião de religião. Aproveito de todas. ” A pior superficialidade é a religiosa.  Por que tem cara de profundidade. Só cara.

Jesus chama pedro para outras pescas, outras águas – profundidade. Fé, espiritualidade profunda é o que gera vida profunda. Fé e prática. Note: não estou sugerindo  religiosidade profunda. Eu não quero pra mim nem pra ninguém esse lixo. Falo de outra coisa. Perguntas profundas a Deus , respostas produndas de Deus, longas conversas, longos silêncios, duros enfrentamentos, crises, dúvidas, relacionamento com o Mestre, coisa feita de ensaio-e-erro. É , eu e Pedro nos parecemos muito. A superficialidade nos reduzia a qualquer coisa – menos a discípulos de Jesus de Nazaré.

ORAÇÃO: Senhor, ” a Superficialidade é o mal desse tempo “( Richard Foster, Celebracão da Disciplina). Expulsa esse demônio,cujo nome agora conheçemos, eu e meus irmãos; liberta-nos, invada-nos os desafios às vezes assustadores da Profundidade, mas eu não quero a vida mansa e estúpida da beira da praia, não, Meu Deus, Meu Pai ! Morro de medo do Mar, mas temo mais ainda o tédio, o vazio , a depressão de uma tarde sem-fim na beira da praia da superficialidade religiosa. Amém.

capanordpq

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